A semana passada jogaram-se sete encontros em que participaram equipas portuguesas nas competições da UEFA e dias depois mais uma jornada da Liga. Dos sete confrontos apenas um não foi totalmente negativo (FC Porto, 1 - Liverpool, 1), todos os outros resultaram em derrotas, e o calendário mandou-os marchar para outros 90 minutos no fim-de-semana.
O FC Porto queixou-se da expulsão (Pennant) de um adversário, o que lhe roubou espaço para atacar, argumento pouco menos que insólito, depois de os jogadores portistas terem inventado todo o tipo de faltas para o árbitro mandar algúém para a rua. Um paradoxo, portanto, o queixume de Jesualdo Ferreira, que se esqueceu de comentar o penalty cometido sobre Kuyit e que o árbitro se "esqueceu" de assinalar. Logo depois, em Paços de Ferreira, um jogo onde não se pode jogar pelo simples motivo que o futebol da terra dos móveis é idêntico ao de uma carpintaria: martela-se, lixa-se, aplaina-se, serra-se, corta-se, de modo que ao campeão nacional não restou outra alternativa se não deixar o futebol fora do campo e entrar nessa fábrica onde se sua, corre, bufa, investe. Ali não há esquemas tácticos que fazem as deliícias dos comentadores. São dez a correr atrás a bola e dos adversários durante os 90 minutos. Sem parar. Sem tempo para recuperar o fôlego. O Paços está fraquinho de equipa mas fortíssimo de alma e o FC Porto foi obrigado a adaptar-se. Com êxito.
Ali perto, em Braga, um Sporting de Braga que mal se podia mexer andou durante hora e meia monotonamente com um Benfica que mal podia andar. Não jogaram, pouco correram, ampararam-se um ao outro como dois idosos a atravessar uma rua. Dias antes o Benfica fora obrigado a exceder o limite de velocidade em Milão perante o AC Milan. Agora até o peso dos atacadores incomodava os seus jogadores. Mas o adversário igualmente exteriorizava uma exaustão inadmissível a quem brada aos ventos que joga para a Europa.
O Sporting, desolado ainda com a derrota europeia frente ao Mancester United, jogou aos repelões contra o Vitória de Setúbal. Ora fazia que andava ora deixava andar naquele monocórdico losango que tanto dá para o 8 como para o 80. Os mais novos ainda se aguentaram fisicamente, casos de Moutinho e Miguel Veloso, outros como Liedson, Polga, Ronny, etc., deram o estoiro. Um empate com sabor amargo para o...Vitória de Setúbal (2-2), com os sadinos a queixarem-se, e com razão, de um "penalty" mais do que evidente sonegado.
Os outros "europeus", Belenenses e União de Leiria ficaram a zeros na Madeira e em casa, respectivamente.
Perante esta realidade questiona-se qual a utilidade de Portugal competir com sete equipas na UEFA. Vaidade? Só pode, porque em termos competitivos é um descalabro. E dentro de duas épocas o país ficará reduzido à sua dimensão futebolistica: três na UEFA e mesmo assim há alturas em que são demasiados.