Há fenómenos estranhos no Futebol. A
relação entre Nuno Gomes e os adeptos do Benfica
é um deles. O lugar de ponta-de-lança é
para ser ocupado por um jogador que marque golos. Em maior ou menor
número mas sempre acima dos 20 golos por época. Seja
esse goleador alto, baixo, gordo, magro, tecnicista ou tosco. O que
acontece na Luz é uma bizarria. Nuno Gomes é um
jogador que desfila no relvado como um modelo numa passerele. Passa
o tempo a ajeitar a camisola, a recolocar os calções,
a puxar as meias, a alinhar o cabelo. Mas na hora de meter a bola
dentro da baliza é um zero absoluto. Ou está mais
à frente, ou mais atrás, ou mais ao lado, ou a bola
vem com força, ou a bola vem devagar, enfim o mais bem pago
atleta do plantel da Luz é de uma nulidade enervante. Mudam
os treinadores, mudam as tácticas, mudam os companheiros de
equipa só não muda é a inabilidade do homem
para fazer o trabalho para o qual lhe pagam centenas de
salários mínimos mensais: por a redondinha lá
dentro. Elegi-o como o homem do jogo deste Benfica-Sporting pelo
zero mais à esquerda possível que se pode esperar de
um atacante. Nuno Gomes conseguiu pela enésima vez elevada a
N falhar um golo feito, daqueles que nem se perdoa a um juvenil. O
remate fulminante de Rui Costa e a defesa felina de Stoikovic
deixou a bola nos pés de Nuno Gomes, o qual, para variar, a
enxotou para fora. É demais para a pachorra dos mais
pacientes. Mesmo assim, quando foi substituído, conseguiu
arrancar aplausos à grande maioria dos espectadores, o que
me deixa estupefacto. Das duas uma; há gente que vai ao
futebol para assistir a um espectáculo ou então
vão apreciar as pernas, o corpo, as feições, o
cabelo dos futebolista. Só assim se compreende esta
reacção para quem fez gazeta dentro das quatro
linhas.
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Data de criação : 07/08/19 Última actualização : 07/12/05 02:05 / 86 Artigos publicados