A oriente das Caraíbas existe uma vasta área de mar conhecida por Triângulo das Bermudas, um local misterioso onde desaparecem barcos e aviões sem explicação plausível. No futebol outra forma geométrica está a engolir treinadores esta temporada: o losango. Essa figura cuja paternidade José Mourinho reclama já o levou há semanas à desvinculação com o Chelsea. Outro adepto dessa estranha forma de futebol, Fernando Santos, foi despedido do Benfica devido à aversão dos jogadores a esse esquema. Resta Paulo Bento, no Sporting, um desenhador fanático do famigerado losango. O Sporting empatou na Madeira (0-0) com o Nacional e a exibição leonina, amarrada àquela sinistra figura geométrica, foi simplesmente deplorável. Se qualquer sistema de jogo exige dinâmica para alcançar o sucesso desejado, o losango permite ao adversário espaços preciosos para se movimentar no meio-campo. E mais fácil se torna para estes quando os homens da frente não recuam para ocupar espaços e neutralizar trocas de bola. Miguel Veloso a central, João Moutinho a trinco, Vucevik e Izmailov nas alas e Romagnoli atrás de Liedson e Djaló foram um autêntico flop na táctica de Paulo Bento e o Nacional dominou a primeira hora de jogo a seu bel-prazer. O treinador leonino foi obrigado a dar a mão à palmatória e refazer tudo nos últimos vinte minutos. Acabou com as geometrias e arriscou um 3x1x3x3, com Miguel Veloso adiantado, João Moutinho também, Purovic na frente com Liedson e Djaló. Os leões transfiguraram-se para melhor e finalmente conseguiram várias oportunidades de golo a que o guarda-redes suíço Diego se opôs sempre com enorme qualidade. A verdade, no entanto, é que já tinham sido queimados 70 minutos de um losango que, tal como o triângulo das Bermudas, poderá arrastar Paulo Bento para o fundo.
PS-Na foto, Stoikovic salva o Sporting da derrota a seis minutos do final.