O inacreditável consulado de Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica será, certamente, um compêndio de anedotas quando, daqui a anos, se historiar este triste capítulo do clube da águia. Razão têm os adversários quando zombam dos benfiquistas, dizendo-lhes se entre os auro-proclamados seis milhões de adeptos e simpatizantes não se encontra melhor gente que Luís Filipe Vieira, Manuel Vilarinho e outros dirigentes de nível ainda inferior ao da equipa de futebol.
Se não fosse 2 de Novembro diria que era 1 de Abril quando o inefável Luís Filipe Vieira afirmou à Comunicação Social que existem espiões dentro dos ógãos do clube. Mas com estas direcções pós-Borges Coutinho tudo tem sido possível na queda do império vermelho.
A propósito da espionagem denunciada por Luís Filipe Vieira a verdade é que continua sem se saber ao certo se o presidente é ele próprio do Benfica, tantas e tão disparatadas são as suas decisões e declarações, ou se não será um agente secreto do Sporting ou do FC Porto infiltrado na Luz, já que é sócio daqueles dois clubes.
O mais incrível de todo este circo montado à volta do Benfica é que os tais seis milhões continuam conformandos com este status de degradação de um clube com um estádio horroroso por fora e com péssimos acessos, um treinador mais gesticulador que pensador, um punhado de jogadores com lugar duvidoso no União de Leiria, uma desorganização total do Futebol desde os miúdos aos graúdos e um naipe de dirigentes cheio de jokers e sem um único ás ou reis. E manilhas só as das obras para negócios com pretensos amigos.
Dizia-me, há tempos, um adepto de um dos grandes adversários do Benfica: "É pá, quando víamos aquelas camisolas vermelhas a sairem do túnel e a entrar em campo até tremiamos". Vinte anos depois todos se riem da águia. A começar pela figura hilariante do presidente.